17 de setembro de 2009

SOMOS O LIXO QUE PRODUZIMOS!

- Boa tarde Esperantina!
- Boa tarde.

- Parece cansada hoje!
- O que te faz pensar nisso Keliton?

- Tenho observado ao andar devagar pelas tuas redondezas nestes últimos anos!
- É a falta de políticas adequadas e responsáveis para o meu progresso.

- E você Keliton, como foi sua noite?
- Bem obrigado. Está doente querida Esperantina?

- Um pouco. Espero melhorar, mas como sabe disso?
- Na sua lixeira tenho visto seringas, luvas, ampolas espalhadas a céu aberto, portanto deduzi que estava passando por necessidade médicas. Espero que não procure o hospital Júlio Hartman, pois o atendimento de lá é péssimo.

- Pode deixar, caso resolva procurar algum enfermeiro procurarei Gustavo Rocha ou o Pachico particularmente.

- Outro dia pude observar que chegastes em casa muito deprimido Keliton!
- Pois é Esperantina, são as péssimas estradas que tenho que trafegar até o meu trabalho. Não muito diferente de você não é mesmo?

- Sim, este calçamento de frente a delegacia já não aguento mais de tanta demora.
- Esperantina é verdade que toma alguns goles de cachaça para esquecer os males?

- Mas como é que você sabe tanto sobre minha vida?
- Outro dia mexendo na sua lata de lixo detectei algumas latinhas de cervejas além de alguns litros de John Work. Saiba que vidro e metal demora muito tempo para se decompor junto à natureza trazendo prejuízos ao meio ambiente?

- Que nada Keliton vou vivendo de acordo com os podres lixos que me guiam. Sou sim um verdadeiro lixo. Mudando de assunto, sem querer, um dia pude ver que você voltou a escrever sobre as injustiças do nosso espaço geográfico.

- Pelo jeito você não fica para trás sobre o meu respeito. Está atenta também ao meu lixo?
- Sim senhor.

- Ao sair da minha casa me avisaram que encontraram em sua lixeira (lixão ou aterro sanitário?) um pacote de crak, cocaína, maconha tudo junto.
- Fazer o que? Este mundo é covarde, corrupto. Nestes últimos anos não me evitaram provar as drogas que me fazem bem nos dias de stress. Para falar a verdade, até que acho bom sabia?

- Deixe este mundo que não tem volta para lá, para lá de Bagdá Esperantina, ou assim irá morrer.

- Que saber Keliton, somos a cara do lixo que produzimos e não deixe de usar camisinha, pois no meu quarto a prostituição e consequentemente as doenças sexualmente transmissíveis estão reinando. Vergonha para mim.

Está a tempo de recomeçar minha colega Esperantina, não desista, estarei sempre aqui perto de você com um ombro amigo. Reclamando, criticando, alertando e tanto outros "ando", "ando", "ando".
Sou seu vizinho predileto, não é mesmo? E vê se não suja mais nosso espaço geográfico.

2 comentários:

  1. Bela postagem. Chama a atenção dos leitores para a realidade local ao abordar temas importantes de uma forma bastante interessante e original.

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  2. parabens macelino vc em poucas palavras falou muito de nossas deficiencias.sua materia e a realidade de nossa cidade.sabe amigo as vezes tenho vontade de rasgar meu titulo de eleitor pois tenho vergonha de nossos politicos.mas quem sabe um dia acertaremos em um silvio mendes da vida ai a coisa possa melhorar.abraços Ricardo.

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