9 de fevereiro de 2013

Os objetos atuais nos escraviza

Estamos vivendo a era dos objetos. Esta era é feita de objetos.

Vivemos como objetos em sua mais estreita aproximação de seu significado comum. O homem vem desenvolvendo a tecnologia, a tecnologia produzindo os objetos e os objetos comandando o ritmo da vida cotidiana do homem. Caso tenham prestado atenção, estamos sim em um ciclo sem fim, sem objetivo claro. A era da superficialidade, do banal nos toma conta.

Entre o ontem e hoje a diferença está na quantidade de objetos ofertados ao mercado e consequentemente ao usuário. E quem produz tantos objetos? A técnica, ou seja, a tecnologia. E quem desenvolve e para quê esta tecnologia? As grandes corporações globais na ousadia de nos escravizar no consumo.
E conseguem nos escravizar devido não sabermos o que queremos. Todos ficam subordinados a estes objetos que são cada vez mais substituídos no menor tempo como forma de continuação da escravidão. Temos hoje escravos brancos, escravos ricos, escravos em todos os continentes, pois a arma do consumo está na oferta diária desses objetos que fazem nos tornarmos pessoas hipnotizadas por tanta divulgação, propaganda, marketing isso tudo todos os dias e dia todo. Lembro-me que fui facilmente manipulado na infância pelas cores (azul e branco) de bola na vitrine de uma loja. Gastei até o que não tinha para comprar-la. Antes de 24 horas a bola foi para o lixo. Apenas uma partida e a bola furou.
O pior de tudo é que tem gente que me rodeia comprando objetos só porque viu os colegas comprarem. Tem outros esperantinenses que consome apenas pela marca e pelo valor sem dar a devida atenção à sua utilidade, seu conforto pessoal e necessidade.

Não temos mais concretude no que consumimos. Vejamos: não temos mais em casa fogões de ferro, com abas, que duravam no mínimo 10 anos. Hoje temos fogões com mil utilidades que não passam da sua data de validade de 3 anos. Aqui é apenas um exemplo entre tantos.

Infelizmente de tanto sermos facilmente manipulados pelos supérfluos objetos ofertados nós seres humanos nos tornamos objetos também. Objetos sem validade, passageiro e, por cima, muito rápido. E quem nos faz assim? A falta de informação concreta do que precisamos e não o que querem nos dar. Consumir sempre iremos, mas o que consumir, infelizmente (novamente, hihihihihi) depende de forças externas e bem maiores que ultrapassa todos os oceanos, que atinge todos os povos e que não controlamos. Podemos até controlar, caso tenhamos força interna suficiente para fazermos o diferente em relação aos nossos amigos, parentes que estão dando continuidade a escravidão de séculos passados.
Hipnotizados pelo consumo.

Um comentário:

  1. Ao incorporarmos a essência desses objetos marcados por sua criação em nossas vidas, assinamos a certeza da morte do reconhecimento do outro, da plenitude de valores e da simbologia que nos une e nos faz mais humanos, pois os objetos nos prendem à uma só força : a do consumo, que acaba com nossa simbologia com os nós que nos ligam ao transcendente. A obsolescência programada foi criada não só para reduzir a vida útil de objetos para criar o ciclo do consumismo, mas também foi criada para reduzir o ciclo da sociedade utópica que sonha em vencer essas barreiras impostas por aqueles que procuram a eterna dominação. Ótimo texto e reflexão. Abraços

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