14 de maio de 2013

Esperança miserável.

'Ajoelhai para rezar e tudo vai melhorar. Deixa a lágrima cair e em troca aquele lá de cima irá ouvir nossas prezes'.
Uma vez ouvi de um dos meus irmãos que "a maior miséria do sertanejo é a esperança". 
Como tudo na vida tem seus dois lados a 'esperança' não foge à regra. Quando se fala em esperança logo vem em mente à relação com a ação divina. Neste caso especifico não passa de atitude ignorante e maldita. A esperança que na próxima safra, no próximo ano irá chover faz muitos homens e mulheres do sertão nordestino não arriar o pé de suas terras.
Pouca água, solo infértil, a vaca magra, a fome extrema, o sol escaldante, a pobreza amiga fazem companhia as imensas vezes, antes do feijão com "grugrue" de todos os dias, da hora da reza, dos pedidos de socorro ao 'omem' lá do céu.
Não tem parentes, viagens doadas como assistencialismo à marginalização nas grandes cidades muito menos promessas de uma vida melhor depois dos longos trajetos de pau de arara que irão fazer 'o cabra' da peste, cego por natureza e religiosidade, sair de sua terra natal tudo isso pela essência e magnitude da herança deixada, por várias gerações, como salvação de povo sofrido.
Não é a posição geográfica que faz este povo sofrer! É a esperança de um 'governo' melhor, é a esperança de um dia o sertão virar mar, é a esperança de o norte tornar-se sul em desenvolvimento.
E quem somos se não o resultado de atos que nos afaste do medo? A esperança é sangue, a fome é medo e a informação (conhecimento) é a principal arma para fugimos desse mundo emocional e entramos no paraíso do racional. Que pena que até a informação é negada a quem tem muitas esperanças.

Na esperança da grande rede voltar, deitei, refleti e aqui estou de volta a escrever esperança para meu mundo melhorar.

"Sou o que eu penso, para vocês sou o que eu transmito".

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