14 de outubro de 2014

Aos Professores e Alunos.

Nesta semana tive o prazer de terminar de ler mais um livro, o quarto do ano.
Mais um combustível para continuar a viver.
Uma viagem sem sair de casa, fiz.
Meu mundinho, tornou um pouco maior.

Para compartilhar esta leitura com você, querido leitor, escrevo um trecho do Livro "Pais brilhantes, professores fascinantes" de Augusto Cury, editora Sextante.
Quais são os profissionais mais importantes da sociedade?

Num tempo não muito distante do nosso, a humanidade ficou tão caótica que os homens fizeram um grande concurso. Eles queriam saber qual a profissão mais importante da sociedade. Os organizadores do evento construíram uma grande torre dentro de um enorme estádio. Chamaram toda a imprensa mundial para realizar a cobertura.
No estádio, pessoas de todas as classes sociais se espremiam para ver a disputa de perto. As regas eram as seguintes: cada profissão era responsáveis por um orador. O orador deveria subir num degrau da torre e fazer um discurso convincente sobre os motivos pelos quais sua profissão era a mais importante da sociedade moderna. A votação era mundial e pela internet.
O primeiro a subir na torre foi o representante dos psiquiatras. A plenos pulmões, ele proclamou: "As sociedades modernas se tornaram uma fábrica de estresse. A depressão e a ansiedade são as doenças do século. As pessoas perderam o encanto pela existência. A indústria dos antidepressivos e dos tranquilizantes se tornou a mais importante do mundo". Em seguida, o orador fez uma pausa. O público, pasmo, ouvia atentamente sues argumentos contundentes.
O representante dos psiquiatras concluiu: "O normal é ter conflitos, e o anormal é ser saudável. O que seria da humanidade sem os psiquiatras? Um alberque de seres humanos sem qualidade de vida! Por vivermos numa sociedade doentia, declaro que somos, juntamente com os psicólogos clínicos, os profissionais mais importantes da sociedade.

Logo após, o mediador bradou: "O espaço está aberto! Quem subiu depois foi o representante dos magistrados - os juízes de direito.
"Observem os índices de violência! Eles não param de aumentar. Sem os juízes e os promotores, a sociedade se esfacela. Por isso, declaro, com o apoio dos promotores e do aparelho policial, que representamos a classe mais importante da sociedade.

O mediador novamente anunciou que o espaço estava aberto.
Um homem intrépido subiu num degrau mais alto da torre - o representante das forças armadas. Com uma voz vibrante e sem delongas, ele discursou: "Os homens desprezam o valor da vida. Eles se matam por muito pouco. As nações só se respeitam pela economia e pelas armas que possuem. Quem quiser a paz tem de se preparar para a guerra. Sem as forças armadas, não haverá segurança. Por isso, declaro, quer se aceite ou não, que os homens das forças armadas não são apenas a classe profissional mais importante, mais também a mais poderosa". 

Ninguém mais ousou subir na torre. Em quem votariam? Quando todos pensavam que a disputa havia se encerrado, ouviu-se uma conversa no sopé da torre. De quem se tratava? Eram os professores. Eles estavam encostados na torre dialogando com um grupo de pais. Ninguém sabia o que estava fazendo. A TV os focalizou e projetou num telão. O mediador gritou para um deles subir na torre. Eles se recusaram.
O mediador os provocou: "Sempre há covardes numa disputa." Houve risos no estádio. Fizeram chacota dos professores e dos pais.
Quando todos pensavam que eles eram frágeis, os professores, com o incentivo dos pais, começaram a debater as ideias, permanecendo no mesmo lugar.
Um dos professores, olhando para o alto, disse para o representante dos psiquiatras:
"Nós não queremos ser mais importantes do que vocês. Apenas queremos ter condições para educar a emoção dos nossos alunos, formar jovens livres e felizes, para que eles não adoeçam e precisem ser tratados por vocês."

O representante dos psiquiatras recebeu um golpe na alma.

A seguir, um outro professor que estava no lado direito da torre olhou para o representante dos magistrados e disse:
"Jamais tivemos a pretensão de ser mais importantes do que os juízes. Desejamos apenas ter condições para lapidar a inteligência dos nossos jovens, fazendo-os amar a arte de pensar e aprender a grandeza dos direitos e dos deveres humanos. Assim, esperamos que jamais se sentem num banco dos réus." Os representantes dos magistrados tremeu na torre.

Uma professora aparentemente tímida encarou o representante das forças armadas e falou:
"Os professores nunca desejaram ser mais poderosos nem mais importantes do que os membros das forças armadas. Desejamos apenas ser importantes no coração das nossas crianças. Almejamos levá-las a se apaixonar pela vida e, quando estiverem no controle da sociedade, jamais farão guerras, sejam guerras físicas, que retiram o sangue, sejam as comerciais, que retiram o pão. Pois cremos que os fracos usam a força, mas os fortes usam o diálogo para resolver seus conflitos. Cremos, ainda, que a vida é obra-prima de Deus, um espetáculo que jamais deve ser interrompido pela violência humana."

Os pais deliraram de alegria com essas palavras. Mas o representante das forças armadas quase caiu da torre.
Não se ouvia um zumbido na plateia. O mundo ficou perplexo. As pessoas não imaginavam que os simples professores que viviam no pequeno mundo das salas de aula fossem tão sábios. O discurso dos professores abalou os líderes do evento.
Vendo ameaçado o êxito da disputa, o mediador do evento disse arrogantemente: "Sonhadores! Vocês vivem fora da realidade!" Um professor destemido bradou com sensibilidade: "Se deixarmos de sonhar, morreremos!"
Sentido-se questionado, o organizador do evento pegou o microfone e foi mais longe na intenção de ferir os professores: "Quem se importa com os professores na atualidade? Comparem-se com outras profissões. Vocês não participam das mais importantes reuniões políticas. A imprensa raramente os noticia. A sociedade pouco se importa com a escola. Olhem para o salário que vocês ganham no fim do mês!" Uma professora fitou-o e disse-lhe com segurança: "Não trabalhamos apenas pelo salário, mas pelo amor dos seus filhos e de todos os jovens do mundo."
Irado, o líder do evento gritou: "Sua profissão será extinta nas sociedades modernas. Os computadores os estão substituindo! Vocês são indignos de estar nesta disputa."

A plateia, manipulada, mudou de lado. Condenaram os professores. Exaltaram a educação virtual. Gritaram em coro: "Computadores! Computadores! Fim dos professores!" O estádio entrou em delírio repetindo a frase. Sepultaram os mestres. Os professores nunca haviam sido tão humilhados. Golpeados por essas palavras, resolveram abandonar a torre. Sabem o que aconteceu?

A torre desabou. Ninguém imaginava, mas eram os professores e os pais que estavam segurando a torre. A cena foi chocante. Os oradores foram hospitalizados. Os professores tomaram então outra atitude inimaginável: abandonaram, pela primeira vez, as salas de aula. Tentaram substituí-los por computadores, dando uma máquina para cada aluno. Usaram as melhores técnicas de multimídia. Sabem o que aconteceu?
A sociedade desabou. As injustiças e as misérias da alma aumentaram mais ainda. A dor e as lágrimas se expandiram. O cárcere da depressão, do medo e da ansiedade atingiu grande parte da população. A violência e os crimes se multiplicaram. A convivência humana, que estava difícil, ficou intolerável. A espécie humana gemeu de dor. Corria o risco de não sobreviver.

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