23 de janeiro de 2009

ORGANIZAÇÃO ESPACIAL DO PIAUÍ


Fico me perguntando caso o Piauí tivesse sido colonizado de norte para o sul, tal como os Estados vizinhos, a nossa economia continuaria sendo uma das menores do país?

Na expectativa de colonizar o interior do país e ao mesmo tempo expandir a criação de gado, tanto o poder da Igreja Católica como o Império português decidiram ocupar o sertão brasileiro subdividindo as já existentes capitanias de Pernambuco e da Bahia.

A capitania de São José do Piauí foi criada exclusivamente sobre a economia do gado bovino mesmo tendo terras férteis para qualquer cultura dando assim continuidade ao processo de ocupação do espaço físico piauiense do centro para o litoral.

Nesse tempo as duas atividades econômicas (pecuária e agricultura) criaram divergências entre os vários criadores e os poucos agricultores que aqui existiam no que diz respeito ao abastecimento de mercadorias, durante o sistema de mercado colonial da época, à Metrópole (gado ou cana-de-açúcar?) fazendo com que autoridades reais interferissem por meios legais para solucionar tal problema. Assim foi caminhando o projeto de ocupação do solo piauiense que, diga de passagem, teve início e ponto de partida marcado mesmo com duas atividades econômicas funcionando paralelamente.

No entanto, todos nós sabemos que a criação de gado prevaleceu e que construiu conseqüentemente os primeiros aglomerados populacionais do nosso estado.

A essência do povoamento do Piauí surgiu da criação da primeira zona pecuária do Brasil entre o sertão baiano e o Maranhão.

Aleatoriamente estes primeiros aglomerados foram aumentando juntamente com as fazendas de gado vacum próximas aos vários rios existentes sem o controle e a organização do Reino de Portugal. Talvez por este motivo – falta de organização – é que os brancos vinham para a nossa terra trabalhar nas fazendas sem trazer suas famílias (mulheres e filhos) com medo das agressões dos índios que existiam nesta região.

Portanto nosso povoamento, como descrito acima, foi de forma muito atrasada com relação aos outros Estados do Nordeste e que teve seu curso normal, casual, à Deus dará.

Não é de estranhar que nessa época inicia uma divisão de classe da população, uma hierarquia de classe. Os índios, os fazendeiros semi-alfabetos, mesmo com o poder econômico que exercia sobre a região e os intelectuais vindos do reino sendo denominados “letrados”. É de grande importância ressaltar que a população do nosso Estado foi formada basicamente por imigrantes (brancos), índios e com uma pequena parcela dos negros sem falar dos remanescentes dos 605 moradores das 129 fazendas.

Depois de relatados tais acontecimentos, concluímos que a população do Piauí provém de uma miscigenação de grupos étnicos acima citados. Estes grupos contribuíram de forma intensa e incansável para a ocupação e o povoamento deste Estado de bravas e valentes pessoas mesmo que inicialmente não tenha sido construída uma sociedade homogenia devido o isolamento de aglomerados populacionais e o poder econômico de alguns proprietários de terra distribuídos na imensidão de terras sulinas do Piauí. No entanto devemos esperar mais uns 100 anos até a capital chegar ao litoral (se é que ela vai ser transferida) para sabermos se realmente o atraso econômico piauiense está ligado a sua forma pioneira de colonização entre todas as capitanias ou é apenas uma mera coincidência do capitalismo.

Autora: Acadêmica Thais do Vale

4 comentários:

  1. Muito legal o texto, vai me ajudar muito no meu trabalho de Geografia

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  2. q merda é essa
    isso é uma grande pik

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  3. Único texto que encontrei sobre o assunto, me ajudou bastante, tirando várias dúvidas. Parabéns

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