A cultura resiste: quadrilhas juninas estão abandonadas em Esperantina?
abril 25, 2026Em muitas cidades do Nordeste, as festas juninas não são apenas celebrações populares — são parte viva da identidade cultural, da memória coletiva e da economia local.
Quadrilhas, bois, grupos de dança e músicos dedicam meses de preparação para manter acesa uma tradição que atravessa gerações. No entanto, apesar de toda essa importância, é cada vez mais evidente a falta de apoio do poder público municipal a esses grupos.
A contradição é gritante. Enquanto o período junino movimenta o comércio, atrai visitantes e fortalece o sentimento de pertencimento da população, os principais protagonistas dessa festa enfrentam dificuldades básicas: falta de incentivo financeiro, ausência de espaços adequados para ensaio e apresentações, e escassez de políticas públicas voltadas à valorização cultural.
Em muitos casos, os grupos sobrevivem graças a rifas, doações e ao esforço pessoal de seus integrantes.
Esperantina está a pouco mais de 35 dias para o início das apresentações juninas. Não só a cidade, mas toda a região.
Enquanto em um tempo não muito distante do atual, Esperantina contava com inúmeros grupos juninos, hoje são basicamente três.
Parecia uma paixão futebolística. A torcida era bem dividida.
E estas três quadrilhas juninas estão sendo valorizadas pelo poder publico?
O poder público comandado pelo grupo do "morro" já repassou aos grupos juninos os devidos investimentos para que haja a compra de todos os materiais necessários não só para as apresentações, mas para os treinos/ensaios?
A cultura junina tem um papel social relevante, especialmente para jovens que encontram nesses grupos uma alternativa saudável de convivência, disciplina e expressão artística. Ao negligenciar esse setor, o poder público também deixa de investir em inclusão social e na prevenção de problemas como o abandono escolar e a vulnerabilidade social (alcoolismo/prostituição/drogas, etc.).
Além disso, é preciso lembrar que apoiar a cultura não é favor — é dever.
A Constituição brasileira reconhece a cultura como um direito de todos e impõe ao Estado a responsabilidade de promovê-la e protegê-la.
Quando uma gestão municipal ignora os grupos juninos, ela não está apenas sendo omissa, mas descumprindo uma obrigação básica com sua população.
Outro ponto preocupante é o uso seletivo da cultura para fins políticos. Em alguns casos, os investimentos aparecem apenas em períodos estratégicos, como anos eleitorais, transformando o apoio cultural em moeda de troca.
Fto - rp50

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