São João de Esperantina será importado
julho 06, 2026As festas populares são muito mais do que momentos de lazer. Em cidades pequenas, elas representam tradição, identidade cultural e, principalmente, uma oportunidade de movimentar a economia local.
É evidente que a administração pública deve buscar qualidade, experiência e profissionalismo na realização de grandes eventos. Em algumas situações, realmente pode não existir, na cidade, uma empresa capaz de atender às exigências técnicas necessárias. Nesses casos, recorrer a prestadores de serviços de fora é uma medida justificável.
E foi isso que a municipalidade esperantinense acabou de fazer.
A montagem de toda a decoração será importada da pequena cidade de São Bernardo-Maranhão.
A decoração natalina de 2025 veio dessa pequena cidade. A festa junina também será de lá.
Já o suporte aos luxuosos camarotes das autoridades políticas que não se misturam com ralé, com os cabras machos, com as marias bonitas, será de uma empresa de Esperantina mesmo. A mesma que ofertou os serviços no ano de 2025. O contrato foi apenas renovado com 25% de acréscimo.
Um dos problemas que aparece neste tipo de importação é quando existem profissionais e empresas locais plenamente aptos a executar o trabalho, mas acabam sendo ignorados. O dinheiro investido com recursos públicos sai do município, enquanto comerciantes, produtores de eventos, equipes de som, iluminação, decoração, segurança, alimentação e diversos outros trabalhadores locais deixam de gerar renda justamente durante uma das épocas mais movimentadas do ano.
Valorizar empresas locais não significa abrir mão da qualidade. Pelo contrário, é incentivar o empreendedorismo, fortalecer a economia e estimular que novos negócios cresçam. Cada contrato firmado com uma empresa da cidade representa empregos, circulação de renda e arrecadação de impostos que retornam em benefícios para a própria população.
Um atual vereador criticou fortemente uma gestão esperantinense que tinha contratado mão de obra da cidade de Luzilândia para construir o novo prédio do Fórum da cidade. Hoje, este vereador não tem autonomia para criticar a atual situação de importação não só de mão de obra, mas de produtos e serviços.
Hipocrisia? Submissão?
Não estamos falando em fechar o mercado ou impedir a participação de empresas de fora. A concorrência é saudável e pode elevar a qualidade dos serviços.
Uma festa pública deve deixar legado além da diversão.
Ela precisa impulsionar a economia, fortalecer o comércio e criar oportunidades para a população. Afinal, o verdadeiro sucesso de um evento não se mede apenas pelo número de pessoas presentes ou pelas atrações contratadas, mas também pelo impacto positivo que ele deixa na cidade quando as luzes do palco se apagam.
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