Quantos votos vereadores e secretários precisam dar aos deputados apoiados pela prefeitura?

agosto 28, 2026


Além da indagação do título, quanto vale o apoio dos representantes públicos em questão aos candidatos a deputados apoiados pela prefeitura?

A cada eleição estadual este tipo de pergunta surge no imaginário popular.

Em períodos eleitorais, uma prática antiga da política brasileira volta a ganhar força nos bastidores: a pressão para que vereadores, secretários municipais e outras lideranças políticas apresentem determinada quantidade de votos aos candidatos a deputados apoiados pelo grupo da prefeitura.

O que vemos constantemente, em época de redes sociais, são as manifestações de vereadores e secretários, em sua maioria, tentando angariar votos para os deputados apoiados pela prefeitura através de vídeos.

É como se cada secretário recebesse uma meta eleitoral. Cada vereador, por sua vez, passasse a ser responsável por entregar um número de votos, como se eleitores fossem mercadorias e a política fosse uma empresa de cobrança de resultados.

Até parece que os secretários e vereadores são obrigados pela prefeitura para tamanho desempenho.

Mas, é preciso fazer uma pergunta simples: o eleitor pertence a alguém?

A resposta deveria ser óbvia: não.

O voto é livre. O eleitor não é propriedade de prefeito, vereador, secretário, partido político ou grupo de situação. 

Não é mesmo?

Vereadores e secretários municipais podem, naturalmente, apoiar candidatos a deputado. 

Faz parte do processo democrático. Podem pedir votos, participar de reuniões, fazer campanha e defender publicamente suas escolhas políticas, desde que respeitem a legislação e a liberdade de consciência de cada eleitor. Sem falar em sua própria índole, seu caráter.

Contudo, não é isso que fica subentendido. A população chega a imaginar que os nobres representantes públicos chegam a receber recursos financeiros para tamanha jornada de subordinação eleitoral.

O problema começa quando o apoio político deixa de ser uma escolha e passa a ser uma obrigação com meta de votos.

Quando um secretário é escolhido apenas para “dar votos”, corre-se o risco de inverter completamente o sentido do serviço público. 

E se o vereador ou secretário não apresentar os votos esperado, se não reunir as bases em vídeos, fotos, reuniões, etc., perderão o cargo/aliança política?

Da mesma forma, um vereador deveria ser avaliado pela sua atuação parlamentar: pelos projetos apresentados, pela fiscalização do Poder Executivo, pela defesa dos interesses da população e pela capacidade de representar verdadeiramente os cidadãos.

O questionamento deixa de ser: “O vereador está defendendo a população?” e passa a ser: “Quantos votos ele conseguiu para o deputado apoiado pelo grupo político?”

Portanto, é importante separar duas coisas: apoio político legítimo e pressão política para “entregar votos”.

"Posso não concordar com nenhuma palavra que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-la" - Voltaire 

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