Carreata bolsonarista em Esperantina é manifestação a favor do retrocesso

outubro 01, 2026

Imagem criada em IA

Em uma democracia, qualquer grupo tem o direito de organizar uma carreata e manifestar publicamente seu apoio a determinado político ou corrente ideológica, desde que respeite a legislação e os direitos dos demais cidadãos. Mas uma manifestação política também pode — e deve — ser objeto de debate.

Os homens ricos da cidade de Esperantina-PI, norte do estado, que se auto titulam patriotas, conservadores, antilulistas e apaixonados por intervenção militar irão hoje às ruas da cidade fazer uso direto da democracia.

Que irônico!

Quando uma carreata é apresentada como demonstração de apoio ao bolsonarismo, é legítimo perguntar: que projeto de país está sendo defendido? E, principalmente, quais resultados e posições do período de 2019 a 2022 justificam essa defesa?

Não bastaram quase 700 mil vidas? 

Não bastaram o negacionismo à ciência, à cultura, à educação?

Durante o governo do presidiário Bozo, o Brasil enfrentou uma série de crises políticas, econômicas, ambientais e sanitárias. Documento oficial do FNDE descreve aquele período como marcado por crises e registra críticas relacionadas a políticas públicas, participação social e disseminação de desinformação.

Não bastaram os combustíveis ter sido aumentados?

Não bastaram os alimentos terem ficado mais caros?

Hoje veremos uma classe de pobres de direita defender em forma de motociata, opa, de carreata, o pedido de poucos à volta do desrespeito às minorias (crianças, mulheres, ribeirinhos, povos originários, negros, homossexuais, etc).

Não bastaram a boiada passar à limpo o nosso meio ambiente? Os ouros do MEC? E as joias, quem embolsou? 

Não bastou o Brasil voltar ao mapa da fome? Do aumento da pobreza?

Não bastaram o recorde de desempregados (quase 15 milhões)?

Para tudo, sigilo de 100 anos. Além do mais, deverão pedir em carreata nesta noite de 01 de outubro a intervenção norte-americana ao nosso país. Fim da democracia, início do fim para os nordestinos

Por isso, uma carreata bolsonarista pode ser muito mais do que carros passando pelas ruas, bandeiras e discursos. Ela pode provocar uma discussão sobre qual modelo de Brasil seus participantes desejam defender.

O debate democrático não deveria se resumir a quem tem a maior carreata, a mais barulhenta buzina ou a maior quantidade de bandeiras. O que realmente importa é discutir propostas, resultados, democracia, saúde pública, educação, meio ambiente, economia e respeito às instituições.

Manifestar uma preferência política é um direito. Questionar essa preferência também faz parte da democracia.

E não venham com orgias!

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