Depois da derrota, agora bolsonaristas são ptistas
outubro 31, 2026Existe um comportamento bastante curioso na sociedade, especialmente na política, no futebol e nas disputas de poder: enquanto a batalha está acontecendo, muitos preferem o silêncio, escondem suas preferências ou até demonstram apoio discreto. Mas basta sair o resultado para que uma multidão apareça reivindicando proximidade com o vencedor.
É impressionante como, depois de uma vitória, surgem tantos aliados, admiradores e companheiros de caminhada. Pessoas que ontem estavam distantes passam a contar histórias de amizade, parceria e confiança. Alguns chegam até a apresentar a vitória como se também fossem responsáveis por ela.
Na política, esse comportamento é ainda mais evidente. Chega a ser nojento.
Durante uma campanha, existem aqueles que assumem publicamente suas posições, enfrentam críticas e defendem seus candidatos.
Os lulistas em Esperantina que digam.
Outros preferem ficar em cima do muro, observando os acontecimentos, calculando os riscos e esperando o resultado das urnas.
Quando a vitória é anunciada, rapidamente encontram uma maneira de se apresentar como integrantes do grupo vencedor.
Mas será que a lealdade deve ser medida apenas depois que alguém vence?
Na própria carreata, depois de dizerem aos quatros cantos "eu também acreditava na virada em 2022", levantaram a bandeira do Lula em plena carreata da vitória do PT pelas ruas da cidade de Esperantina.
Ser aliado somente nos momentos de comemoração é muito fácil. Difícil é permanecer presente quando existem incertezas, dificuldades, críticas e possibilidades de derrota. A verdadeira amizade, o companheirismo e a fidelidade não deveriam depender do resultado de uma disputa.
Por conveniência, pois o cargo em certos casos exigem, os donatários de cargos eletivos se pronunciam a favor de A ou B durante a campanha, apesar de que no seu mais íntimo desejo é eleitor(a) do candidato contrário do que anuncia.
Também é preciso compreender que nem todo aquele que aparece na fotografia da vitória esteve presente durante a caminhada. Nem todo aquele que bate palmas participou da luta. E nem todos os que reivindicam a condição de aliados estiveram dispostos a assumir os mesmos riscos.
A vitória costuma produzir uma espécie de esquecimento coletivo. Alguns esquecem o que disseram, outros mudam o discurso e há aqueles que reescrevem a própria história para parecer que sempre estiveram do lado vencedor.
Blog do Professor Macelino Keliton – opinião sem arrodeio.

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