Advogado emite carta em defesa à exposição do Calvário de Cristo

outubro 16, 2025


TAPAR O PAINEL CALVÁRIO DE CRISTO É QUERER ESCONDER O VERDADEIRO EVANGELHO. 

Diante da polêmica do referido painel é necessário voltar à realidade social da época, início da década de 80, ainda período de ditadura no Brasil, para fazermos uma interpretação correta sobre esta situação. 

De acordo com esse contexto, a Igreja Católica funcionava como um porto seguro de muitos pobres e oprimidos, que clamavam por justiça social e também muitos eram perseguidos por coronéis em razão de defender bandeiras a favor dos marginalizados. 

Uma época muito difícil para a Igreja de Cristo, uma vez que a evangelização era feita em locais simples e precários, principalmente nas comunidades do interior que estavam em fase de criação e formação, bem como não tínhamos uma total liberdade de expressão.

Pois bem, perante esta realidade era necessário denunciar as mazelas, a pobreza material, na falta do pão e terra, e a pobreza espiritual, no maltrato e perseguições aos pobres.

Assim, diante deste cenário a Igreja se torna uma das principais instituições de denúncia das injustiças sociais, era como uma porta -voz em defesas dos pobres. 

O referido painel nos revela toda uma realidade de Jesus perseguido e maltratado, porque Jesus não está somente no sacrário dentro de um templo, ele continua vivo naqueles que sofrem as injustiças deste mundo: "Porque tive fome e vocês me deram de comer, tive sede e me deram de beber, era estrangeiro e me acolheram, estava nu e me vestiram, estava na cadeia e vieram me ver." E ao ser questionado sobre quando lhe teriam feito estas coisas, Jesus responde: "Todas as vezes que vocês fizeram isso a um desses meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizeram". (Mt 25, 35-40). 

Portanto, a meu ver, o painel calvário de Cristo da Igreja de Nossa Senhora da Boa Esperança deve ser exposto e tombado como patrimônio nacional, pois nos revela o verdadeiro Evangelho. 

Por Sandro Quaresma.

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