Prefeita não sabe onde fica o bairro Santa Luzia
junho 19, 2026Administrar uma cidade exige muito mais do que ocupar uma cadeira no gabinete. Exige presença, conhecimento da realidade local e proximidade com a população. Isso mesmo, proximidade.
Apesar de que, vindo da atual administração esperantinense onde a gestão é virtual, essa estranheza desaparece.
Em cidades de pequeno porte, onde as distâncias são reduzidas e os problemas das comunidades costumam ser conhecidos de todos, espera-se que o gestor municipal tenha pleno conhecimento do território que administra. Afinal, como planejar obras, melhorar serviços públicos ou atender às necessidades da população sem conhecer de perto cada região da cidade?
Isso é que dar viver na capital cuidando dos próprios negócios e fazer de Esperantina-PI apenas um hobby para angariar seguidores nas redes sociais.
O desconhecimento de um bairro específico pode parecer um detalhe para alguns, mas revela uma questão maior: o afastamento entre a gestão pública e a realidade dos moradores. Quem vive diariamente os desafios de ruas esburacadas, falta de iluminação, problemas de saneamento ou dificuldades de mobilidade espera que seus representantes conheçam essas demandas e saibam exatamente onde elas acontecem.
Rola nas redes sociais um vídeo onde a chefe do poder executivo de Esperantina pergunta a um de seus engenheiros em que bairro estão, pois ali serão erguidas mais 90 casas do programa "Minha Casa, Minha Vida", do presidente Lula, na cidade de Esperantina.
Depois de perguntado, o engenheiro imediatamente responde: bairro Santa Luzia.
A função de prefeito ou prefeita não se limita à administração de recursos. É também uma missão de liderança, escuta e presença. Presença, presença física.
Visitar bairros, conversar com moradores, abraçar o povão, viver o social da cidade todos os dias e acompanhar de perto as necessidades da população deveria fazer parte da rotina de qualquer gestor comprometido com o desenvolvimento do município.
Quando um governante demonstra desconhecer partes da cidade, surge naturalmente o questionamento: como resolver os problemas de um lugar que nem sequer conhece?
Povão e chefe do executivo local não andam juntos. Nunca andou. O pedestal aqui é outro.
"Para criar inimigos não é preciso declarar guerra, basta dizer o que pensa" - Martin Luther King

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