O que leva negros a votarem na família Bolsonaro?
agosto 18, 2026Esta pergunta costuma provocar debates apaixonados, ou apaixonantes. Contudo, a realidade é mais embaixo. Não é apenas a famigerada frase "negros votam contra si mesmos". Isso não quer dizer que não seja verdade levando em consideração tudo que a família Bolsonaro falou, fala, fez e faz com a população negra de nosso país.
Há pesquisas que mostram que a maioria dos eleitores negros não votam na família Bolsonaro, mas uma parcela significativa vota — e isso pode ser explicado por fatores religiosos, econômicos, culturais, ideológicos e pela forma como cada pessoa interpreta sua própria identidade racial. Seria a falta de consciência de classe?
Ainda cria-se a expectativa de que a população negra deveria votar em determinado campo político por causa da história de exclusão racial no Brasil. O voto nasce da experiência de vida, dos valores e das prioridades de cada cidadão. O Brasil tem uma enorme dívida para com os negros tendo em conta as políticas públicas criadas por poucos Homens brancos contra os negros do país.
É verdade que as pesquisas indicam que Lula costuma liderar entre eleitores pretos e pardos, enquanto Bolsonaro encontra maior apoio entre eleitores brancos. Ainda assim, milhões de negros apoiam a família do presidiário Bolsonaro. Isso não é um acidente estatístico; é um fenômeno que merece ser compreendido, não apenas condenado, que fique claro.
É verdade que há negros que são contra a Princesa Isabel por esta ter abolido a escravidão.
O Brasil possui uma identidade racial marcada pela diversidade. Muitos pardos, por exemplo, não se identificam com o movimento negro organizado, preferindo definições como “moreno” ou simplesmente “brasileiro”, uma forma de amenizar o valor da própria raça/etnia.
Essa forma de enxergar a própria identidade também altera a maneira como interpretam discursos sobre raça. Negros racistas? Já viram? Conhecem?
Não tenhamos dúvida que não é simplista ver o mundo pelo prisma de uma cor de pele. O debate sobre certos segmentos da população votar ou não em determinados candidatos é grande, complexo.
No fim das contas, a cor da pele pode influenciar experiências de vida, mas não determina a consciência política. O voto continua sendo uma decisão individual, moldada por múltiplas identidades — e é justamente essa complexidade que torna a democracia tão desafiadora quanto fascinante.
Enfim, votar em candidatos que sequer esconde seus posicionamentos ultrapassados sobre parcelas da população, por exemplo negros, índios, nordestinos, LGBTQQICAPF2K+, é um retrocesso político e humano.
"Só sou responsável pelo que digo, não pelo que você entende" - Renato Russo
Fto - terra

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