12 de fevereiro de 2014

Reclamar não pode,,, podia

Não posso reclamar. Minha boca está fechada. Minha língua lacerada. Mente morta. Não reclamei de onde nasci, onde cresci. Reclamei através do choro pelo alimento que me faltava, na hora marcada, e me deixava tristonho, impaciente.
Reclamar é colocar a linguagem em tona em defesa do que não está correto ou pelo menos por algo que não condiz com as boas novas do comportamento humano. 
Foto: anormal-anm
Não estou a reclamar do que me fez falta como, por exemplo, uma bicicleta na infância, uma bola na adolescência, uma namorada bonita fisicamente na juventude ou mesmo uma boa educação no setor público onde estudei durante a fase adulta. Reclamo pelo que me faz falta e vou além ao dizer que reclamo pelo que nos faz falta. Se não reclamei estou no tempo de reclamar. E daí não posso, não devo? Vivemos insatisfeitos e ficar parado, calado não irá mudar muito. Reclamar não significa que irá mudar muito ou mesmo que irá mudar. Mas já será um bom começo para mostrar ao mundo o que nos falta e muitas das vezes o que muitos devem fazer.

Os lugares estão inacabados, os homens em continuo desenvolvimento. Estamos em época da informação, do conhecimento e não paramos para entendermos isso. Muitas coisas melhoraram e nem por isso devemos parar de reclamar, de reivindicar. 

Mesmo que minha boca continue fechada, minha língua lacerada continuarei a reclamar da sujeira humana, da lama seca, da educação doentia, da saúde sem conhecimento, dos irmãos humanos no poder que pouco fazem, do passado, do presente, da tecnologia mal utilizada, do capitalismo perverso, do gol perdido, de mim e de ti.

Não me venham dizer só porque não reclamei não tenho o direito de reclamar. Não fizeram? Então façam agora para não ouvir reclamações amanhã. Jamais queiram calar as reclamações com mais reclamações. Sejamos humildes o suficiente para calar as reclamações com trabalho, muito trabalho.

"Sou o que eu penso, para vocês, sou o que eu transmito" 

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