20 de abril de 2016

"Professor é vício, só muda de lugar"

Quantos vícios são necessários para um ser humano viver em paz?
Deparo me com tantas peripécias da vida que chego a rir.

Desde de pequeno vivo acompanhando a vida de um professor.

Marginalizado, irreconhecível pelos governantes, amigos e até aqueles que não os conhecem pessoalmente tem atitudes de reprovação contra esta classe de profissionais que tanto faz por todos nós.

Hoje pela manhã, em mais uma necessária fila indiana de um banco, tive o desprazer de ouvir algo que até então não tinha passado pela minha cabeça: "professor é vício, só muda de lugar".
Esta frase de certa forma é compreensiva caso tenhamos a honradez de aceitar que vivemos de vícios.
Os vícios são sim partes da sociedade da informação, da rapidez, da superficialidade, dos alimentos industriais e dos remédios que nos faz mais mal do que bem.

Sendo assim, muitas categorias de profissionais são tidas como inferiores a outras, pois este é um vício de demonstração de superioridade de certos profissionais, se é que podemos chamar este últimos de profissionais.

Não deveria ser assim. Todas tem sua parcela de importância na produtividade social como um todo.

Pois bem. 

Dizer que professor é vício é nítido que os governantes estão sim destruindo, ao longo de mais de 300 anos, esta classe de profissionais.
Se nossa história tivesse sido escrita dando importância a carreira de magistério nos primeiros anos de presença da coroa portuguesa em solo brasileiro, hoje talvez estivéssemos reconhecendo, como merecem, todos os professores que dão pão, dão terra, dão trabalho à toda sociedade, mesmo que seja a longo prazo.

Quando a jovem falou esta frase, talvez estivesse se referindo à questão de que uma vez professor, sempre professor. Ou talvez estivesse fazendo uma autocrítica, pois a mesma é professora. Isso mesmo, quem falou que professor (de uma forma unissex) é um vício é uma recente formada professor.

Dar para entender como os novos professores estão sendo formados pelas universidades públicas brasileiras. Dar para ter um noção de como as 'políticas' de seleção, de exclusão, de preconceito já começam na própria formação dos nosso futuros profissionais da educação.

Se nossa política de educação continuar sendo esta, estaremos apenas reproduzindo seres humanos sem alma, sem coração, sem profissionalismo, sem compromissos, pois não gostar da própria profissão ou é falta de oportunidade de emprego ou é o fim do início.

"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você diz, mas defenderia até a morte do direito de dizê-las" (Evelyn Beatrice Hall).

Fto - professorricardovieira

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