Escolas em Esperantina: abre uma, fecha duas

janeiro 23, 2026


A conta não bate.

A quem interessa esta visão educacional?

A inauguração de uma nova escola costuma ser anunciada como uma grande conquista para a educação. 

O fechamento de escolas, especialmente nas zonas rurais e em bairros periféricos, afeta diretamente estudantes, famílias e comunidades inteiras. 

Assim tem sido, ou pelo menos se ver acontecer, na cidade de Esperantina.

Quantas escolas já foram inauguradas em regiões centrais, seja da cidade, seja da zona rural nos últimos tempos?

Várias, não é mesmo? Até onde isso bom?

Até quando não precisar fechar nenhuma outra. Simples.

Para o vereador de oposição Leônidas Quaresma, a cidade de Esperantina tem 33 escolas municipais em funcionamento.

Já para os vereadores de situação, são 42 escolas.

Outra conta que não bate.

Leônidas Quaresma talvez esteja levando em consideração as escolas que funcionam em seus próprios prédios. Enquanto os vereadores de situação levam em conta as escolas que perderam o prédio e hoje funcionam mais no papel e em salas cedidas por outras escolas.

A escolas municipais José Luís Pereira (zona rural) e Erinete Brito (zona urbana) são exemplos de escolas que não tem mais prédios próprios. A primeira deixou de funcionar fisicamente há mais de 5 anos, enquanto a segunda há um pouco mais de 3 anos.

Discursos otimistas, fotos oficiais e promessas de um futuro melhor acompanham esses momentos de uma nova escola.

Crianças são obrigadas a percorrer longas distâncias para estudar, enfrentando transporte precário e jornadas cansativas fazem parte de quando uma ou mais escolas são fechadas. Sem falar na evasão escolar e no desinteresse pelos estudos. Que digam os alunos do Jacaré da Vermelha, Boi Velho e Barro que deixarão de estudar na "porta de casa" para irem estudar em outras localidades.

Falta de planejamento, diálogo com a comunidade e, principalmente, compromisso com uma educação inclusiva e acessível são pontos de causa ou consequência para escolas serem fechadas?

 A educação não pode ser tratada apenas como números em relatórios administrativos, mas como um investimento essencial no desenvolvimento social.

Abrir uma escola deveria significar ampliar oportunidades, e não mascarar o fechamento de outras. 

É preciso questionar: qual o verdadeiro objetivo dessas ações? Economizar recursos à custa do futuro das crianças? 

Educação de qualidade exige manutenção das escolas existentes, valorização dos profissionais e políticas que considerem as realidades locais.

Portanto, mais do que inaugurar prédios, é urgente garantir que nenhuma escola precise fechar para que outra seja aberta. O progresso educacional não se mede por propaganda, mas pelo acesso real e contínuo à educação para todos.

"Posso não concordar com nenhuma palavra que você diz, mas, defenderei até a morte o direito de dizê-la" - Voltaire.

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