Servidor público, efetivo ou contratado, não é obrigado a participar de evento de lançamento de pré-candidaturas

junho 19, 2026


Servidor público, efetivo ou celetista, não é cabo eleitoral.

O servidor público, seja efetivo ou contratado, tem a obrigação de cumprir suas funções profissionais com responsabilidade, ética e dedicação. 

O que ele não tem é a obrigação de participar de eventos políticos promovidos por gestores ou grupos partidários, especialmente durante fins de semana, quando está fora de sua jornada de trabalho.

Infelizmente, em muitos municípios brasileiros ainda persiste uma cultura equivocada de confundir administração pública com atividade político-partidária. 

Poderíamos incluir a cidade de Esperantina nesta lista?

Alguns gestores acreditam que a presença de servidores em inaugurações, visitas de autoridades, caminhadas, comícios ou eventos de cunho político demonstra apoio popular. Na prática, porém, muitas dessas participações ocorrem por receio de represálias, principalmente entre servidores contratados.

Em breve haverá um lançamento de pré-candidaturas na cidade de Esperantina e os contratados da cidade, que são muitíssimos, já estão preocupados, pois os 'convites' começam a chegar.
Dizem as más línguas que as listas de frequências por pastas (secretarias) já estão prontas.

Para este evento de fim de semana, onde os servidores deveriam ficar em casa cuidando de seus afazeres, ao lado de seus familiares, e aqui podemos incluir as mamães de crianças pequenas, parentes acamados, ETC., parece que há uma novidade.

Cada contratado, a depender da secretaria, deverá ir com uma camisa de cor especifica. Exemplo: da secretaria de assistência social - cor vermelha -, da secretaria de esportes - cor preta -, da secretaria da juventude - cor lilás -, da saúde - cor verde -, da educação - cor branca, e assim sucessivamente. Tudo isso é o que circula na cidade como supostos convites. Não há certeza, portanto, há de esperar pela hora do evento para que seja confirmado ou não.

É importante lembrar que o servidor é um profissional a serviço da população, não de um governante específico. 
Prefeitos, secretários e demais autoridades são temporários em seus cargos, enquanto o serviço público deve permanecer comprometido com o interesse coletivo e com os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade.

Nos fins de semana, a situação se torna ainda mais delicada. O descanso, a convivência familiar, a prática religiosa, o lazer e os compromissos pessoais fazem parte dos direitos de qualquer trabalhador. Exigir, pressionar ou constranger servidores para que participem de eventos políticos fora do expediente representa um desrespeito à liberdade individual e aos direitos trabalhistas. 

A participação em atividades político-partidárias deve ser uma escolha livre e voluntária. Cada cidadão, servidor ou não, possui suas convicções e preferências políticas, garantidas pela Constituição. Uma gestão moderna e democrática não mede lealdade pela presença em palanques ou eventos políticos. 

Respeitar essa separação fortalece a democracia, valoriza o funcionalismo público e garante que a administração municipal sirva aos interesses da sociedade, e não aos interesses eleitorais de quem ocupa temporariamente o poder.

"Posso não concordar com nenhuma palavra que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-la" - Voltaire

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