Esperantina importa tijolos de Luzilândia


Importação - significa comprar 'mercadorias'/serviços do exterior, de fora.

Exportação - significa o contrário, venda de mercadorias/serviços para o exterior.

Nas décadas de 1970 e 1980, principalmente, a produção de tijolos artesanais às margens esquerda do rio Longá, no perímetro urbano da cidade de Esperantina, foi uma atividade social e econômica que impulsionou a economia local naquela época.

A atividade de produção de tijolos nas olarias do bairro Pedreira movimentou muita gente tanto na geração de trabalho como na geração de renda.

Muitas famílias sobreviviam dessa atividade.

Ao tempo que a cidade ia sendo erguida com o produto produzido em Esperantina por esperantinenses, as relações entre homem e natureza iam se aprofundando.

Por um lado, a atividade trabalhista e econômica se estabilizava. O comércio local agradecia. Por outro, o desmatamento da mata ciliar, a erosão, o habitat de muitas espécies eram transformados aponto de não termos volta.
Apesar dos danos ao meio ambiente, a cidade não precisava exportar os tijolos que tanto precisava para a cidade se desenvolver.

Passados anos, as demandas aumentaram. A população crescente necessitava de lares e mais estabelecimentos para trabalhar. A tecnologia se aconchegou, e foi preciso aumentar a oferta.

Tijolos ecológicos surgiram e hoje nos deparamos com uma atitude nada sustentável na hora de adquirir o produto tijolos que tanto precisamos.

A matéria-prima dos tijolos - argila -, de tanto explorada que foi ao longo dessas últimas décadas em nossa cidade, diminuiu consideravelmente. Além disso, o poder hegemônico do setor acha inviável explorar o que ainda resta com a alegação de que a matéria-prima de hoje não satisfaz as necessidades contemporâneas da engenharia civil vigente.

As empresas privadas detentoras do monopólio da produção e distribuição dos tijolos em Esperantina, aliadas ao poder político, preferem importar o produto.

Poderiam trazer o produto da cidade de Campo Maior, São José do Divino, Joaquim Pires, Campo Largo do Piauí. Contudo, escolheram importar da cidade de Luzilândia.

Cidade continua a se erguer, mas agora com tijolos da cidade vizinha de Luzilândia.

E assim a tradição de se fazer tijolos nas olarias do rio Longá, mais precisamente no bairro Pedreira, chega a ser enterrada e acimentada pelo poder hegemônico da globalização contemporânea. 
Menos um posto de trabalho e renda ao esperantinense.


Ftos - chicomuseu

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.