Cidade de Batalha adquire merenda escolar com valores abaixo da média territorial

janeiro 31, 2026


A coisa não está bonita na cidade de Batalha.

A cidade vem acumulando perdas educacionais a décadas quanto aos devidos investimentos.

A aquisição de merenda escolar com valores que chegam a milhões de reais sempre chama a atenção da sociedade — e não sem razão. Trata-se de dinheiro público destinado a uma das áreas mais sensíveis da administração: a alimentação de crianças e adolescentes que dependem da escola não apenas para aprender, mas também para se alimentar de forma digna.

A merenda escolar da rede municipal de Batalha é uma das piores do Território dos Cocais. Há relatos de pais que tiraram seus filhos da rede municipal de Batalha somente por conta da baixa qualidade nutricional da merenda escolar.

É inegável que a merenda escolar é um direito garantido por lei e um elemento fundamental para o desenvolvimento físico e cognitivo dos estudantes. Para muitos alunos da rede pública, a refeição oferecida na escola é a principal, quando não a única, do dia. Nesse sentido, investir recursos significativos na alimentação escolar pode, sim, ser justificável e necessário.

O problema surge quando os valores milionários não se refletem na qualidade do alimento servido. Batalha acaba de fazer a aquisição da merenda escolar. Os valores ultrapassaram os R$ 3 milhões. Sem falar que foram adquiridos quase R$ 1 milhão em quentinhas para as secretarias.

Cardápios pobres, alimentos ultraprocessados, falta de frutas e verduras, porções insuficientes e denúncias de desperdício colocam em xeque a real aplicação desses recursos. A pergunta que não quer calar é: onde está indo todo esse dinheiro?

Quando se fala em milhões de reais, o rigor na gestão deve ser redobrado, pois cada centavo mal aplicado representa um prato vazio para um aluno.

Esperantina, por exemplo, já investiu mais de R$ 10 milhões em uma única aquisição em merenda escolar.

Além disso, a legislação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) determina que parte dos recursos seja destinada à compra de produtos da agricultura familiar. Essa política fortalece a economia local e garante alimentos mais frescos e saudáveis. No entanto, em muitos municípios, essa diretriz é ignorada, favorecendo grandes fornecedores em detrimento dos pequenos produtores.

Na Terra do Bode, não há bode no cardápio da merenda escolar. Também não há peixes no cardápio de Esperantina.

Portanto, a discussão não deve se limitar ao valor investido, mas à forma como ele é utilizado. Merenda escolar não é gasto, é investimento. 

Porém, só se justifica quando há qualidade, fiscalização, transparência e compromisso com o bem-estar dos estudantes.

A sociedade precisa acompanhar, questionar e cobrar. Afinal, quando se trata da alimentação das nossas crianças, não há espaço para desperdício, descaso ou interesses escusos. Merenda escolar de milhões deve significar dignidade no prato — e não apenas números altos no orçamento.

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