Jovens negros tem maior risco de vida do que jovens brancos
janeiro 26, 2026Há quem diga que ocupante de cadeiras eletivas podem falar o que quer, até mesmo se for algo que acentue ainda mais as diferenças, os preconceitos, o racismo, etc.
No Brasil, a cor da pele ainda determina quem tem mais chances de sobreviver. Embora a Constituição garanta que todos são iguais perante a lei, a realidade mostra que o risco de vida é significativamente maior para a população negra do que para a branca. Esse dado não é fruto do acaso, mas consequência direta de desigualdades históricas, sociais e institucionais que persistem até hoje.
Na última sexta-feira (23 de janeiro) a Revista Ciência & Saúde Coletiva publicou um estudo, com dados do IBGE, que mostra que a população jovem negra tem um risco 49% maior de morrer de forma violenta do que a população branca.
Negros morrem mais cedo, são as principais vítimas de homicídios, sofrem mais com a violência policial e têm menor acesso a serviços básicos de qualidade, como saúde, educação e moradia. Segundo dados oficiais, a maioria das vítimas de mortes violentas no país é composta por jovens negros e pobres, moradores das periferias. Isso revela um padrão alarmante: a vida negra é constantemente exposta a riscos que não afetam da mesma forma a população branca.
Não esqueçam que ainda há quem não defenda as cotas para negros nas universidades. A dívida dos brancos para com os negros no Brasil é quase impagável.
Esse cenário é resultado de um racismo estrutural que atravessa gerações. Após a abolição da escravidão, não houve políticas eficazes de inclusão social para a população negra.
Sem acesso à terra, educação ou trabalho digno, milhões de pessoas foram empurradas para a marginalização. Décadas depois, essa exclusão se reflete em bairros sem infraestrutura, escolas precárias, desemprego e maior presença da violência.
Além disso, o Estado muitas vezes falha em proteger essas vidas. A atuação violenta e seletiva das forças de segurança em comunidades periféricas reforça a sensação de que alguns corpos são considerados descartáveis.
Viver não deveria ser um privilégio condicionado à cor da pele. Enquanto a sociedade não garantir que todas as vidas tenham o mesmo valor, a igualdade continuará sendo apenas uma promessa no papel — distante da realidade de milhões de brasileiros.

0 comentários